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Sinto vergonha nessas horas!

Aluno da rede estadual é quase jogador de futebol… Com patrocínio na camisa!

Alagoas aprova publicidade em uniforme escolar

SÍLVIA FREIRE
DE SÃO PAULO

Uniformes das escolas estaduais de Alagoas poderão ter, a partir de 2012, propaganda ou logotipos de empresas privadas.

O governo do Estado sancionou na semana passada uma lei que permite que empresas patrocinem as escolas com a doação de uniforme, material escolar e mobiliário. Em contrapartida, podem estampar o nome nos uniformes.

Segundo a Secretaria da Educação de Alagoas, o patrocínio foi a forma encontrada para fornecer o uniforme gratuitamente, já que o Estado não tem recursos para isso.

Para a pedagoga Helena Albuquerque, da Faculdade de Educação da PUC-SP, colocar publicidade nos uniformes é um desrespeito ao aluno. “O fato de utilizar a criança como meio de propaganda, por princípio, é inadequado.”

Segundo a psicopedagoga Marisa Ester Aldecoa Rosseto, do Colégio Arquidiocesano de São Paulo, a partir do momento em que a escola põe o logo de uma empresa em seu uniforme, ela está referendando a empresa ou o produto.

Folha de S. Paulo, Cotidiano, 9/12/2011

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/13887-alagoas-aprova-publicidade-em-uniforme-escolar.shtml

Filed under alagoas uniforme escolar Estado falta de recursos

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Hoje deu uma vontade de escrever… (…um pouco mais que o de costume!)

E falar daquelas vontades de mudar o mundo. Daquelas que a gente quer compartilhar. Porque hoje eu ajudei - ainda que pouco - um movimento que precisa ser mostrado para mais gente. Porque a gente precisar mudar. Sempre.

No começo eu achava que o comportamento das crianças era só “trabalho” de pais e mães. E apesar de não ser mãe, senti que existe uma mensagem que também é para mim. Porque eu acho que o mundo inteiro deve pensar em educação e futuro. E eu não sei a opinião de vocês, mas eu quero ficar “perambulando” muitos anos nessa vida… E só consigo ver “futuro” acompanhado de “educação”.

Adoramos consumir, comprar, ter uma vida confortável… E adultos responsáveis que somos, temos que ensinar aos pequenos o valor de cada coisa. A importância de SER acima do TER. Até pouco tempo, convivi muito com crianças (primeiro por ser louca por elas e depois pelo prazer de dar aula para essa gente miúda); vejo o quanto elas são influenciadas (por diversos fatores, obviamente, não somente pelas propagandas na TV) e reproduzem esse comportamento louco de comprar, comprar, comprar… Minha intenção não é discutir ou apontar quem é culpado. Porque acho que a responsabilidade de dar bom exemplo é de todo mundo: do pai, da mãe, dos amigos, da escola, das empresas, do Estado… Mas, vamos combinar: apesar da gente adorar publicidade, anunciar para crianças não é certo. A influência da mídia junto ao poder do mercado é massacrante.  

Muito além de me sensibilizar ainda mais com um cliente, me sensibilizei com uma causa, que cada vez mais vem ganhando meu respeito. Uma das bandeiras levantadas pelo Projeto Criança e Consumo, do Instituto Alana, é a regulação da publicidade dirigida ao público infantil. Durante um protesto realizado hoje, foram divulgados dados de uma pesquisa que só reforça a grande parcela de responsabilidade que a publicidade tem em estimular padrões de consumo exagerado nas crianças e outros comportamentos, como ingerir alimentos não-saudáveis e bebidas alcóolicas, por exemplo.

Profissionalmente, geramos notícias todos os dias: por ofício, por prazer e pelo comprometimento com algo, com alguém. Quem trabalha com comunicação sabe melhor do que ninguém como pode influenciar pessoas. E por isso eu vim aqui divulgar esse link www.consumismoeinfancia.com numa tentativa discreta de “bem” influenciar.

Porque da minha condição de jornalista e de gente, eu acredito que podemos ser pessoas melhores, and raise better “little beings”.

Filed under consumismo infância criança consumo instituto alana publicidade infantil

Notes

Meu amor por Miles

“Blue in Green é invasiva, como se viesse e despertasse o que adormece por debaixo da pele. O trompete é magia; entorpece, entristece, corta… Quase uma despedida. Carrega lembranças do que ficou despedaçado… Nostalgia de um tempo que nem sei se vivi. Só a sutileza do piano ao fundo me deixa em um lugar seguro. Concorde comigo, passa algo de triste. Angústia como a de quem vê algo escapar pelas mãos; algo que muito se preza mas foi incapaz de segurar. Não por falta de vontade, mas por imposição natural das coisas. Respeito ao universo. Me inquieta. Termina e me deixa para trás, incompleta. Pelas últimas notas meu piano volta. Desperta. É sair do torpor e voltar à realidade. Como quem estava com o pensamento longe, quase absorto… Afinal de contas, engana a si mesmo quem diz saber o que é felicidade se não enxerga a beleza no triste, no todo.”

(Pedaço de texto meu sobre Blue in Green, de Miles Davis. Escrito e engavetado em 14 de junho de 2006.)

Roseanne

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Notes

Carmina Burana - O Fortuna, Imperatrix Mundi

Em latim

Em português

O Fortuna,

Ó Sorte,

Velut Luna

És como a Lua

Statu variabilis,

Mutável,

Semper crescis

Sempre aumentas

Aut decrescis;

Ou diminuis;

Vita detestabilis

A detestável vida

Nunc obdurat

Ora oprime

Et tunc curat

E ora cura

Ludo mentis aciem,

Para brincar com a mente;

Egestatem,

Miséria,

Potestatem

Poder,

Dissolvit ut glaciem.

Ela os funde como gelo.

 

Sors immanis

Sorte imensa

Et inanis,

E vazia,

Rota tu volubilis

Tu, roda volúvel

Status malus,

És má,

Vana salus

Vã é a felicidade

Semper dissolubilis,

Sempre dissolúvel,

Obumbrata

Nebulosa

Et velata

E velada

Michi quoque niteris;

Também a mim contagias;

Nunc per ludum

Agora por brincadeira

Dorsum nudum

O dorso nu

Fero tui sceleris.

Entrego à tua perversidade.

 

Sors salutis

A sorte na saúde

Et virtutis

E virtude

Michi nunc contraria

Agora me é contrária.

Est affectus

Et defectus

E tira

Semper in angaria.

Mantendo sempre escravizado

Hac in hora

Nesta hora

Sine mora

Sem demora

Corde pulsum tangite;

Tange a corda vibrante;

Quod per sortem

Porque a sorte

Sternit fortem,

Abate o forte,

Mecum omnes plangite!

Chorai todos comigo!

  • - Fortuna é um falso cognato em latim para o português. Fortuna=Sorte, Fortunae=Riqueza Material.

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Notes

Esperemos

Há outros dias que não têm chegado ainda,
que estão fazendo-se
como o pão ou as cadeiras ou o produto
das farmácias ou das oficinas
- há fábricas de dias que virão -
existem artesãos da alma
que levantam e pesam e preparam
certos dias amargos ou preciosos
que de repente chegam à porta
para premiar-nos
com uma laranja
ou assassinar-nos de imediato.
(Últimos Poemas)

Pablo Neruda

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Notes

Pra ser sincera (Ou melhor: pra não dizer, intransigente)

Pra quem é jornalista a palavra é corroboração. Pra quem não é jornalista e escreve do mesmo jeito, segue a regra geral p/ qualquer coisa na vida: antes de dizer (ou escrever) algo, certifique-se para não sair por aí dizendo bobagem. Quanta BABOSEIRA na rede. Dezenas e dezenas de caracteres com bobagens. Ainda não sei dizer se o pior é aquele que produz ou aquele que repete.

O direito de se expressar através das palavras é das habilidades mais FANTÁSTICAS que temos. Dói só de ler um bando de criaturas usando citações pela metade, palavras rebuscadas, um monte de expressão sem sentido, sem nem saber o significado!!

É interpretação de texto, minha gente.

Estão matando a liberdade de imprensa, coitada. E liberdade de expressão virou baderna. Até a festa de aniversário do cachorrinho da modelo famosa é notícia. De verdade, quem quer ler isso? Como nos permitimos…

Geração de conteúdo é responsabilidade, poxa. A produção na internet, nos blogs, nas MS, nunca foi tão… MAÇANTE. Tem cada coisa pavorosa! A sensação é de que as pessoas não se preocupam com as palavras.

De vez em quando aparecem umas pérolas no meu Twitter:

- “A gente ia sair ontem, MAIS não deu.”

- “Que ANCIEDADE…”

- “Oi… Vem me VÊ!”

CREDO!

Eu sei que a língua portuguesa não é das mais simples. Mas custa pelo menos dar uma lida e verificar o português depois de ter escrito, poxa? NÃO!!! Não custa, não é complicado e é de graça. Aqui ó, leiam: http://michaelis.uol.com.br/novaortografia.php

Escrevam direito, jornalistas com diploma e jornalistas sem diploma, pelo amor de Deus!!! Parem de me irritar com bobagem!! rs…

Mas é que tem lugares que tudo ficou tão medíocre… É triste.

Filed under palavras textos medíocres conteúdo blogs mídias sociais liberdade de expressão

Notes

Sobre perguntas e respostas

Quando eu era criança, detestava quando eu perguntava e não me respondiam. Ou então… Mentiam! Crianças são cheias de perguntas. Geralmente, logo depois dos 2 anos de idade, os pequenos começam a bombardear os adultos, questionando tudo. 

Instintivamente, eu passei a gostar de ouvir. Principalmente, crianças. Como educadora, faço isso mais por prazer do que por dever. Escutar é preciso… Mas existe uma fase dos “porquês” que recentemente atacou uma das minhas turmas. Além de (às vezes) não conseguir segurar o riso, tem horas que fico sem saber como responder! Um dia desses, terminei mentindo! (rs…)

Eu havia acabado de ensinar as cores em inglês. Eles já estavam inquietos pela sala, repetindo as palavras, apontando as cores que viam pelos cantos, descobrindo um mundo pelos objetos e dizendo tudo em voz alta em inglês… Foi quando chegamos aos 10 minutos finais da aula e a parte que eles mais gostam: colorir. (yay!) 

Todos sentados e animados para ver qual seria o desenho no papel… E eu entrego um cachorrinho. Na verdade, uma cachorrinha. Um desenho bem bacana que consegui: partes do animal são numeradas e cada um dos números deve ser pintado de uma cor diferente. Na idade deles (entre 5-6 anos), os pequenos já conseguem juntar sílabas, ler boa parte das palavras e reconhecem a atividade, relacionando as palavras às cores.  

Depois de ter pintado quase tudo, lá vem o Pedrinho*:

- “Teacher, cachorrinho você disse que é dog. Mas isso aqui não é cachorrinho… É uma cadelinha! How do you say ”cadela” in English? Posso escrever aqui embaixo?” – Perguntou ele.

- “Hum… Pode Pedrinho. Escreve DOG então.” Eu disse.

- “Mas teacher… Dog é ME-NI-NO. Essa aqui é ME-NI-NA! Como é o certo? GIRL DOG?”

- “É Pedrinho… GIRL DOG”. Eu confirmei, disfarçando um sorriso torto no rosto…

E lá vai ele todo feliz. Escreveu GIRL DOG, me devolveu a atividade, arrumou o material e foi embora.

Depois da aula, eu fiquei pensando… Ensinei errado (e de propósito) pela primeira vez na vida. Menti.  Mas acho que essa mentirinha foi por uma boa causa. Já imaginou se eu ensino a palavra bitch e o menino chega correndo feliz em casa pra mostrar o desenho à mãe: “Olha aqui mamãe, vem ver a minha bitch!!” – Realmente… Cadela é Bitch. É o certo. Literal. Mas esse termo vem sendo usado de um jeito tão negativo que não há como não ver com tom de malícia.

São nessas horas que me pego rindo sozinha, feliz por ter tantas “pequenas doses” diárias de alegria…

(*A história é real. Apenas o nome Pedrinho, é fictício.)

Filed under crianças perguntas risos porquês bitch