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Notes

Meu amor por Miles

“Blue in Green é invasiva, como se viesse e despertasse o que adormece por debaixo da pele. O trompete é magia; entorpece, entristece, corta… Quase uma despedida. Carrega lembranças do que ficou despedaçado… Nostalgia de um tempo que nem sei se vivi. Só a sutileza do piano ao fundo me deixa em um lugar seguro. Concorde comigo, passa algo de triste. Angústia como a de quem vê algo escapar pelas mãos; algo que muito se preza mas foi incapaz de segurar. Não por falta de vontade, mas por imposição natural das coisas. Respeito ao universo. Me inquieta. Termina e me deixa para trás, incompleta. Pelas últimas notas meu piano volta. Desperta. É sair do torpor e voltar à realidade. Como quem estava com o pensamento longe, quase absorto… Afinal de contas, engana a si mesmo quem diz saber o que é felicidade se não enxerga a beleza no triste, no todo.”

(Pedaço de texto meu sobre Blue in Green, de Miles Davis. Escrito e engavetado em 14 de junho de 2006.)

Roseanne

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