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Sobre perguntas e respostas

Quando eu era criança, detestava quando eu perguntava e não me respondiam. Ou então… Mentiam! Crianças são cheias de perguntas. Geralmente, logo depois dos 2 anos de idade, os pequenos começam a bombardear os adultos, questionando tudo. 

Instintivamente, eu passei a gostar de ouvir. Principalmente, crianças. Como educadora, faço isso mais por prazer do que por dever. Escutar é preciso… Mas existe uma fase dos “porquês” que recentemente atacou uma das minhas turmas. Além de (às vezes) não conseguir segurar o riso, tem horas que fico sem saber como responder! Um dia desses, terminei mentindo! (rs…)

Eu havia acabado de ensinar as cores em inglês. Eles já estavam inquietos pela sala, repetindo as palavras, apontando as cores que viam pelos cantos, descobrindo um mundo pelos objetos e dizendo tudo em voz alta em inglês… Foi quando chegamos aos 10 minutos finais da aula e a parte que eles mais gostam: colorir. (yay!) 

Todos sentados e animados para ver qual seria o desenho no papel… E eu entrego um cachorrinho. Na verdade, uma cachorrinha. Um desenho bem bacana que consegui: partes do animal são numeradas e cada um dos números deve ser pintado de uma cor diferente. Na idade deles (entre 5-6 anos), os pequenos já conseguem juntar sílabas, ler boa parte das palavras e reconhecem a atividade, relacionando as palavras às cores.  

Depois de ter pintado quase tudo, lá vem o Pedrinho*:

- “Teacher, cachorrinho você disse que é dog. Mas isso aqui não é cachorrinho… É uma cadelinha! How do you say ”cadela” in English? Posso escrever aqui embaixo?” – Perguntou ele.

- “Hum… Pode Pedrinho. Escreve DOG então.” Eu disse.

- “Mas teacher… Dog é ME-NI-NO. Essa aqui é ME-NI-NA! Como é o certo? GIRL DOG?”

- “É Pedrinho… GIRL DOG”. Eu confirmei, disfarçando um sorriso torto no rosto…

E lá vai ele todo feliz. Escreveu GIRL DOG, me devolveu a atividade, arrumou o material e foi embora.

Depois da aula, eu fiquei pensando… Ensinei errado (e de propósito) pela primeira vez na vida. Menti.  Mas acho que essa mentirinha foi por uma boa causa. Já imaginou se eu ensino a palavra bitch e o menino chega correndo feliz em casa pra mostrar o desenho à mãe: “Olha aqui mamãe, vem ver a minha bitch!!” – Realmente… Cadela é Bitch. É o certo. Literal. Mas esse termo vem sendo usado de um jeito tão negativo que não há como não ver com tom de malícia.

São nessas horas que me pego rindo sozinha, feliz por ter tantas “pequenas doses” diárias de alegria…

(*A história é real. Apenas o nome Pedrinho, é fictício.)

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