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Posts tagged amor

7 notes

Esperemos

Há outros dias que não têm chegado ainda,
que estão fazendo-se
como o pão ou as cadeiras ou o produto
das farmácias ou das oficinas
- há fábricas de dias que virão -
existem artesãos da alma
que levantam e pesam e preparam
certos dias amargos ou preciosos
que de repente chegam à porta
para premiar-nos
com uma laranja
ou assassinar-nos de imediato.
(Últimos Poemas)

Pablo Neruda

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Notes

“You have to pick a person and make it work”

Nunca esqueci essa frase. É de uma das cenas de “The Object of My Affection” (A Razão do Meu Afeto). No filme, a personagem da Jennifer Aniston se apaixona pelo Paul Rudd, que interpreta um homosexual. 

Eles começam a dividir o apartamento e juntos passam a fazer tudo como um casal normal, com uma pequena diferença: eles se amam, só que não do mesmo jeito. Apaixonada, ela tenta convencê-lo de que o relacionamento dos dois pode dar certo dizendo que “a gente tem que escolher alguém e fazer dar certo”! No final… Bom, não vou contar o final do filme, né? Mas ele mostra uns amores possíveis, outros impossíveis… É gostoso de assistir. Típico água com açúcar…

A frase me veio à cabeça hoje à tarde no parque enquanto eu batia um papo com a Ana - solteira, bonita, simpática, perto dos trinta. “É muito difícil achar um homem hoje em dia que queira casar,” e ela ainda disse mais: “eu sou um exemplo disso!”. Eu parei, olhei pra ela, franzi a testa e rebati: “Ué Ana, mas isso sempre foi assim. Desde que o mundo o mundo!” Afinal de contas, alguém já viu algum homem QUERER casar? Tipo… DE VERDADE? Eu nunca vi um cara tomar uma cerveja c/ os amigos e discutir quem pode ser a melhor pretendente. Nunca soube de homem que sonha com o dia do casório, a roupa que vai usar, o gel que vai passar no cabelo, as flores da igreja… Pelo amor de Deus, né? Só mulher faz isso. E o cara só finge que tá sonhando igual à mulher pra agradar. rs… Calma, não tô dizendo que os homens não amam. Amam sim, e amam de verdade! Mas casamento é quase um vestibular. Só que a pessoa faz e passa a vida toda na “faculdade”: aprendendo sobre o outro, conhecendo, compreendendo, dividindo, ajudando, sorrindo, cuidando… essas coisas todas de companheirismo. Casamento é parceria, não é verdade?

Outro dia li sobre o casamento da Adriana Calcanhoto com a parceira de longa data Susana (que é quase uns 30 anos mais velha que a cantora). Poxa, achei bacana. Com ou sem união oficial, essas duas sim são parceiras. Independente de idade, cor, credo… elas escolheram uma a outra e tão fazendo o negócio funcionar. 

Tem gente que casa, tem gente que não. Não sei bem como acontece, mas acontece. Seja por pura pressão da mulher (na maioria das vezes. rs…), pressão da família (quando os pais não agüentam mais sustentar o marmanjo e dão graças a deus quando o cara sai de casa!), outros por medo de ficar só, uns por paixão mesmo, outros por impulso… Não sei bem direito de todos os tipos, mas que cada um tem um motivo diferente, isso tem. 

E cada doido vive com sua idéia de casamento. Tem gente que vai na igreja oficializar, na sinagoga, num juiz. Outros enchem a cara e se mandam pra Las Vegas. Uns moram juntos mas dormem em camas separadas, outros não moram juntos mas dão um jeito de dormir na mesma cama toda noite… Enfim.

Conversa vai, conversa vem, lembrei do casamento do cara que é um dos meus melhores amigos. Tá casando em poucos dias e tá mais feliz que pinto no lixo! Dá gosto de ver a felicidade dele quando ele comenta sobre o assunto. Tá super empolgado, apaixonado… Coisa mais linda de ver.

Aí eu fiquei encucada quando a Ana disse que tá difícil de casar nos dias de hoje. Vejo tanta gente casando por aí, e por pura e livre espontaneidade. Eu acho que casar não é difícil… Acho que as pessoas é que ficaram mais exigentes. Tem homem e mulher aos montes por aí querendo casar. É só procurar no lugar certo, ou melhor… não procurar! Essas coisas acontecem. O negócio é que as mulheres querem um príncipe encantado no cavalo branco e os homens querem uma Amélia. Aí complica, né? 

Cheguei a conclusão que a frase do filme é a chave do negócio. A pessoa tem que escolher uma criatura e FAZER dar certo. Se tiver amor entre os dois, melhor ainda. (Aliás, não faço a menor idéia de como a pessoa pode ficar com outra sem ter amor.)

Desde 1975, meus pais tão tentando fazer dar certo. No começo minha mãe não dava a menor bola pro meu pai. Esnobava até dizer basta. Pra piorar a situação, meu avós paternos se detestavam. Só depois que um deles morreu, meu pai insistiu e eles casaram. Estão tentando fazer dar certo até hoje (e espero que façam isso por mais uns 40 anos!). Com muita dificuldade, mas estão conseguindo. Meus pais são pessoas maravilhosas, mas cada um é muito difícil, do seu jeito. Eu que sou filha - e só eu mesma sei meus trejeitos - puxei cada chatice do meu pai e cada coisinha irritante da minha mãe. (tem dias que nem eu me agüento! rs… mas de vez em quando, eu sou legal, juro! rs…)  

A gente nunca sabe como vai ser, mas sempre espera que seja pra melhor. 

Eu acho que, eu só queria mesmo era desejar ao meu amigo e sua amada, do fundo do meu coração, um “vestibular” fantástico, daqueles que a gente vibra, chora, sofre, sorri, explode de felicidade, sente saudade, que chega dói no peito! Porque estou muito feliz por eles. Desejo uns 70 anos de faculdade/casamento pros dois!

A escolha vocês já fizeram, agora, façam dar certo. Amo vocês.

[Ah! O trailer do filme: http://www.youtube.com/watch?v=c_lNnxTPB9A]

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Amar, dói?

Pais, filhos e desilusões…

Quando somos pequenos, somos uma esponjinha. Sugamos o amor da mãe, do pai, dos tios. Precisamos de carinho, de atenção. É um amor exacerbado, que a gente não sabe ainda o que é, mas se agarra nele com um choro, com um abraço apertado de saudade que mal cabe nas nossas mãos, com um olhar pidão do medo do escuro, de dormir com a luz apagada, de acordar num domingo de manhã e não encontrar ninguém p/ contar do pesadelo que teve na noite passada.

Na infância, o amor é assim: a gente chora sem saber porque a plantinha morreu, porque o cachorro de estimação da família foi levado “pra uma fazenda onde só cachorros vivem” e nunca mais voltou pra casa, porque o pai ou a mãe foi embora. O amor que a gente aprende, é aquele que lemos nos contos de fadas, onde tudo é perfeito e sempre tem um final feliz. Embora o amor que a gente sente, é diferente. E o que é pior - só descobrimos o que é o amor, com uma dor.

O amor é tanto, que os pais protegem, escondem, simulam de tudo para as crianças ficarem longe da verdade o máximo que der. Porque a verdade é que amar, também dói. A gente ama, se apega, e num dia como outro qualquer, a vida acontece. Um dia você descobre que não existe papai noel. Que aquele bichinho de estimação não vai voltar porque já morreu. (Já tentaram explicar o que é morte a uma criança? É assustador.

Outra hora você olha pro lado, sentado na cadeirinha do carro e vê uma criança da sua idade pedindo esmola no sinal como mesmo olhar pidão que você. O que aquela criança queria não era dinheiro, era amor. Como é que você explica a uma criança que existem outras, diferentes dela, que dormem na rua, que passam fome, que elas não têm um pai ou uma mãe que a leve de carro pra uma escola? 

As primeiras desilusões amorosas acontecem na infância. E são as mais dolorosas. A gente não têm conhecimento suficiente pra entender o rumo natural das coisas. Os adultos explicam cada coisa de um jeito, fica difícil saber em quem confiar. E quando você descobre que alguém como um pai ou uma mãe mentiu p/ você porque “queria te proteger”, é o pior das coisas. A gente confia, acredita, e quando a verdade vem à tona, dói.

Irmãos, irmãs e egoísmo…

Vamos crescendo e quase que de repente temos que aprender a conviver com outros que até então você provavelmente não sabia que iam aparecer na sua vida: seus irmãos. O irmão menor quer toda a atenção que você teve, o carinho, o cuidado de todos e também quer também o SEU amor, é claro. Quer que você o ame e que entenda quando ele bagunce todos os seus brinquedos, afinal de contas, ele é menor, não tem juízo de certo e errado, e tudo se justifica. E você passa a aprender o que é egoísmo. Aprende que onde há amor, não pode haver egoísmo. Que dói ter de dividir, mas que quando se ama, o sacrifício vale a pena. 

Alguns se entendem, outros brigam o tempo todo. Mas como é que se pode brigar onde teoricamente só deveria haver amor? Minha mãe ama minha irmã, mas eu não amo tanto assim quando ela entra no meu quarto e destrói meu quebra-cabeças de mil peças ou a fazendinha de lego inteira que desde o meu aniversário vinha montando sozinho. Dá é ódio! É complicado crescer sendo o homenzinho da casa, ter de ser forte, não poder chorar (porque chorar é coisa de menina, né?) e ainda ter que assistir seu pai babando a irmãzinha caçula, que todos acham graciosa, mesmo se ela quebrar a porcelana inteira da sua mãe enquanto fazia uma coreografia de dança (que você provavelmente acha uma babaquice) na sala de jantar?

Amor de irmão é compartilhar. É ensinar. É ser exemplo. É não poder fazer nada errado, pois você sabe que vai ter dois olhinhos miúdos te fiscalizando o tempo inteiro e no primeiro deslize vai dedurar você pra mamãe. Mas é também contar segredos. Fazer peripécias juntos. Cumplicidade. E ainda assim, levar a culpa se o irmão mais novo apronta alguma e você sabe que ele vai se dar mal, mas, por amor, você assume a responsabilidade e leva umas palmadas do pai… De novo, a gente ama - dessa vez até mais consciente - e dói novamente.

Amigos e perdão…

Aí a gente faz amigos. Às vezes até mais amigos que nossos próprios irmãos. Grudados o tempo todo. Ouvimos as mesmas músicas, vestimos as mesmas roupas, fazemos a prova de matemática por ele (às vezes, ficamos juntos até na hora recuperação!), saímos às escondidas pra acobertar um namoro, pegamos o carro do pai escondido… Tudo em nome do amor. A gente ama aquela amiga, aquele amigo. É seu MELHOR amigo. A ÚNICA pessoa no mundo que parece que te entende. É um desespero de amor! 

Até que aquela sua melhor amiga conhece o Pedro. E assim, como num piscar de olhos, ela esquece de você e só fala no Pedro: em sair com o Pedro, que roupa vai sair pro cinema com o Pedro, se a cor do cabelo ou o corte que ela escolhe vai combinar com a blusa que ganhou do Pedro, e blábláblá, blábláblá. E o pior - nem te convida pra ir ao cinema com eles. Você se rói de ciúmes, se tranca no quarto, chora a tarde inteira, jura até que é inimiga mortal, pro resto da vida! 

Dez dias depois, o Pedro dá no pé. Arranja uma nova namorada e lá vem a amiga aos prantos chorar a dor de cotovelo pra você. Mais uma vez você amou e recebeu o que em troca? Desprezo. E agora? Aí lá vem o amor de novo e te ensina a perdoar. Doeu amar novamente. Mas que ama, perdoa. Ainda assim…

Homem, mulher e… ainda amor?

Você cresce e decide se casar. É a mulher da sua vida. A mais linda de todas, perfeita. Você passa seis meses no trabalho fazendo hora extra e junta o suficiente pra comprar aquele anel de noivado maravilhoso, que vai deixar ela sem fôlego! O casamento é cinematográfico. Você se endividou até o pescoço, mas saiu tudo como ela queria - até aquelas flores da igreja que custaram mais caro que a primeira parcela do apartamento! - mas tudo bem…

A lua de mel acaba. Passado algum tempo, vocês dormem, acordam, almoçam, arrotam juntos, tudo é lindo. Mas aí vocês começam a trabalhar 14hrs por dia pra manter o cubículo que compraram no bairro mais nobre da cidade. Num final de semana qualquer - quando vocês finalmente arranjam um tempinho na agenda pra jantar juntos - ela fala que vai querer o de sempre. Detalhe: você nem lembra mais o que ela come sempre. Não sabe se é camarão ou carneiro, e aí começa a discussão. 

E palavras (olha a novidade agora) - palavras dóem. Mas, você ama essa mulher. Como pode machucá-la?

Já grandinhos, sabemos o que é certo e errado. Sabemos do amor e quase todas as suas formas. Sabemos que podemos machucar, que podemos amar. Sabemos que um dia já fomos inseguros quando crianças, egoístas na adolescência, desprezamos e fomos desprezados, que já perdoamos, e tudo o que fizemos até hoje foi por amor. De um jeito ou de outro, aprendemos sobre o que é o amor quando um dia a gente amou, e isso machucou. Magoando ou sendo magoado, doeu. 

Mas porque será que até hoje a gente vive se reciclando e mascarando que amar, dói?

Talvez fosse mais prático saber desde o início. Talvez mudasse o ciclo. Talvez… mudassem as coisas.

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